20 março, 2009





















Hoje me desfiz dos meus bens
vendi o sofá cujo tecido desenhei
e a mesa de jantar onde fizemos planos

o quadro que fica atrás do bar
rifei junto com algumas quinquilharias
da época em que nos juntamos

a tevê e o aparelho de som
foram adquiridos pela vizinha
testemunha do quanto erramos

a cama doei para um asilo
sem olhar pra trás e lembrar
do que ali inventamos

aquele cinzeiro de cobre
foi de brinde com os cristais
e as plantas que não regamos

coube tudo num caminhão de mudança
até a dor que não soubemos curar
mas que um dia vamos.

(Martha Medeiros)

2 comentários:

Márcia(clarinha) disse...

Ai,ai, o dia que a dor for num caminhão, será bom, será bom...

lindo final de semana flor
beijos

Thereza Garcez disse...

Também quero mandar as dores num caminhão.
bj amiga