30 junho, 2008

Guernica














A obra “Guernica” de Pablo Picasso é uma tela pintada a óleo, medindo 350,5cm X 782,3cm, em preto e branco, sem uso de cores, no estilo cubista, que retrata o bombardeio sofrido pela cidade basca de Guernica em 26 de abril de 1937 por aviões nazistas e que culminou com a morte de 1654 pessoas e 889 feridos.
Exatamente por não ter nenhum signo específico de agressão, nenhuma suástica, a composição transcendeu os tenebrosos acontecimentos da Guerra Civil Espanhola, tornando-se um manifesto estético dos horrores provocados por uma tecnologia a serviço da desumanização. Picasso pintou a obra-prima do século, onde se misturam as contradições da nossa época: progresso e violência, catástrofe e prosperidade.

Regina Fernandes

29 junho, 2008

Trabalho Médico - Dignidade, Respeito e Valorização


A atual realidade da Medicina brasileira, com precárias condições de trabalho, má remuneração, tanto no serviço público quanto nos convênios, atendimento inadequado, formação profissional deficiente e proliferação das escolas médicas, estão fazendo com que as entidades médicas, nacionais e regionais, se unam e atuem juntas, com o objetivo de mudar esse triste quadro.
O problema da saúde pública no Brasil não está caracterizado somente pela falta de médicos e de recursos humanos especializados. O Sistema Único de Saúde (SUS) é uma importante conquista do povo brasileiro e só será efetivamente implantado com financiamento adequado, consistente e sem interrupções. O SUS não está sendo implantado no Brasil em face da falta de vontade política de nossos governantes.
Para implementar melhorias no atendimento médico à população urge que as autoridades governamentais respeitem e valorizem o trabalho médico oferecendo melhores condições de trabalho e criando um plano de carreira para médicos.
O Sindicato dos Médicos de Rondônia, representando a classe médica do estado, une-se à luta nacional pelo exercício de uma Medicina de Qualidade, defendendo a implantação plena do Sistema Único de Saúde (SUS) no país e no nosso estado, com destaque para a valorização do trabalho médico, melhores condições de trabalho e remuneração médica e gestão de um plano de saúde pública mais eficiente. Apóia a regulamentação da Emenda Constitucional 29 que, além de definir ações específicas de saúde, muda a forma de correção do orçamento da saúde para 10% das receitas correntes brutas da União.
O Sindicato dos Médicos de Rondônia (SIMERO) e o Conselho Regional de Medicina de Rondônia (CREMERO), aliados a Federação Nacional dos Médicos (FENAM) e ao Conselho Federal de Medicina (CFM) dão prosseguimento à luta dos médicos tornando pública a reivindicação da classe e formalizando-a através de documento que será encaminhado ao Secretário de Saúde, Dr. Milton Moreira, ao Governador do Estado, Sr. Ivo Cassol, e às lideranças políticas da Assembléia Legislativa do Estado.

(Profa. Dra.Flavia Fernandes - Diretora do Departamento de Graduados e Pós-graduados do SIMERO)

Festa de São Pedro


Considerado o protetor das viúvas e dos pescadores, São Pedro é festejado no dia 29 de junho no mundo inteiro e no Brasil é comemorado em várias cidades com a realização de grandes procissões marítimas. Depois de sua morte, São Pedro, segundo a tradição católica, foi nomeado chaveiro do céu.

Pedro, cujo nome era Simão, era natural de Betsaida, povoação na Galiléia, às margens do lago de Genesaré, também conhecido como mar de Tiberíades. Era filho de Jonas e pescador de profissão. Tinha juntamente com seu irmão André e com Tiago e João, uma pequena frota de barcos pesqueiros.
Simão era de temperamento autoritário, impulsivo, sempre entusiasmado embora às vezes desanimasse com facilidade. Mas era também franco, bondoso e extremamente generoso. E Jesus, que era um exímio "conhecedor" de homens, após olhar longamente para ele diz: "a partir de hoje você vai se chamar Pedro". Mudar o nome para outro mais significativo era freqüentemente mudar de orientação e de modo de viver. E foi assim que Simão, o pescador da Galiléia, deixou para trás toda uma história de vida e iniciou outra vida e uma nova história: agora não mais como Simão, mas como Pedro, o pescador de homens.

24 junho, 2008

Dia de São João Batista - Padroeiro de Niterói


São João Batista era filho de Zacarias e de Santa Isabel. Chamava-se “Batista” pelo fato de ser um “batizador” (Lucas 3,3). João, cujo nome significa “Deus é propício”, veio à luz em idade avançada de seus pais. (Lucas 1,36).

A Igreja o celebra desde os primeiros séculos do cristianismo. O seu nascimento é festejado pelo povo com grande júbilo: cantos e danças folclóricas, fogueiras e quermesses fazem de sua festa uma das mais populares e queridas de nossa gente.

Nesta terça-feira, as honras a São João Batista, padroeiro de Niterói, começam cedo com direito a missa campal, procissão, quadrilha e queima de fogos.

23 junho, 2008

Ontem foi um domingo sem graça, frio e cheio de nuvens. À noite a pedida foi assistir o "Agente 86" no Cinemark e depois esticar o programa com um jantarzinho no Restaurante Ícaro. Gostei do filme, leve e agradável, com risadas garantidas, baseado na série de televisão dos anos 60, que traz Maxwell Smart (Steve Carell), o agente 86, que unido à sua companheira, agente 99 (Anne Hathaway) tem como objetivo salvar o mundo dos bad guys.
Foi tudo muito bom e a companhia não podia ser melhor, o filhote querido e a norinha. Adorei o programa. Valeu!

21 junho, 2008

O Inconsciente: produção e representação



A partir do século XVII, Descartes fundamenta pela primeira vez na história das idéias o conceito de sujeito. Sua teoria era a de que a verdade habita o consciente e a representação é o lugar da verdade. É com Descartes que a questão da subjetividade recebe sua primeira formulação: diante da incerteza quanto à realidade do mundo objetivo, ele afirma a certeza do cogito (penso logo sou) – o único ponto de certeza era o pensamento: “o pensamento é um atributo que me pertence – não sou senão uma coisa que pensa”. O sujeito do pensamento considera verdadeiro tudo o que a razão concebe de forma clara e distinta. A partir daí, a representação é o lugar da morada da verdade.
Com Sigmund Freud e a psicanálise, a partir de meados do século XIX, produz-se a derrubada da razão e da consciência do lugar sagrado em que se encontravam. Para a psicanálise, o sujeito é também o sujeito do pensamento, mas do pensamento inconsciente, pois Freud descobriu através de seus estudos e de sua prática que o inconsciente é feito de pensamento. Percebemos então que o que a psicanálise traz de novo, através da obra de Freud, é uma teoria e uma prática que pretendem falar do ser falante enquanto ser singular, ela vem ocupar um lugar de escuta do discurso individual, vem colocar a questão não do sujeito da verdade, mas da verdade do sujeito, vem apontar uma clivagem na subjetividade e que é identificado por Lacan como sujeito do enunciado e sujeito da enunciação. Daí a inversão lacaniana da máxima de Descartes: “penso onde não sou logo sou onde não penso”.
Ao falarmos em Freud, não poderíamos deixar de marcar a importância de Sàndor Ferenczi, seu correspondente permanente. Se fossemos fazer um paralelo entre os dois psicanalistas, nos depararíamos com a curiosa descoberta de que as duas obras se completam. Ferenczi parecia se interessar exatamente naquilo em era deixado de lado na obra de Freud. E essa noção de complementaridade é atestada pelo próprio Freud no necrológio de Ferenczi em 1933.
Mas, voltando a Freud, em 1867 ele escreve a Fliess (Carta 52) onde fala de suas idéias sobre o aparelho psíquico. A seguir em 1895, escreve o “Projeto para uma psicologia científica”, que desempenhou o papel da gênese da teoria psicanalítica. A proposta do Projeto era a de elaborar uma teoria do funcionamento psíquico segundo uma abordagem quantitativa. Neste texto ele fala do psiquismo como um “aparelho” capaz de transmitir e transformar uma energia determinada, da noção de quantidade de que os neurônios estão investidos, do princípio da inércia, da emergência do ego (diferente do ego da segunda tópica), da distinção entre os dois modos de funcionamento do aparelho psíquico (processo primário e processo secundário) e também faz um esboço de uma teoria do sonho.
Em 1900, com a Traumdeutung (A interpretação dos sonhos), sem dúvida um dos livros mais importantes do século, Freud desvela as leis do inconsciente (Unbewusst - Ubw), fazendo emergir o sujeito do desejo determinado pelas leis da linguagem. O desejo (Wunsh) é o enigma que impele o sujeito a saber. E é a estrutura da linguagem inconsciente que faz a psicanálise como práxis operar por meio da fala e sua ética ser definida por Lacan como a “ética do bem dizer”. Entre a elaboração do Projeto e A Interpretação dos Sonhos, há um fato da maior importância que é a descoberta do complexo de Édipo. No Rascunho N (1897), Freud escreve que os impulsos hostis dirigidos contra os pais são um elemento integrante das neuroses e que, no filho, esse desejo de morte está voltado contra o pai, enquanto que na filha está voltado contra a mãe. Freud ainda não usa o termo complexo de Édipo, o qual só aparecerá em 1910.
Em 1915, Freud escreve a sua teoria das pulsões (Trieb): “a teoria das pulsões é, por assim dizer, a nossa mitologia” São construtos teóricos onde Freud nos diz que “a pulsão é um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático” ou ainda “a pulsão é o representante psíquico de estímulos que se originam dentro do organismo e alcançam a mente”. No inconsciente a pulsão é sempre representada por uma idéia, uma representação (Vorstellung), ou por um afeto (Affekt). Portanto não podemos deixar de perceber a diferença entre o representante psíquico da pulsão e a pulsão enquanto representante de algo físico. A Vorstellung (representação) é mais precisamente um conceito-chave, destinado a sustentar a teoria da pulsão. Laplanche aponta que existem dois tipos de representação, a que deriva da coisa, essencialmente visual, e a que deriva da palavra, essencialmente acústica.
Com os artigos da Metapsicologia a partir de 1905 haverá uma unificação teórica da pulsão e do inconsciente com seus jogos de linguagem. Os textos freudianos, o Projeto, a Psicologia da vida cotidiana junto com a Interpretação dos sonhos, e os Chistes e sua relação com o inconsciente, são textos que fundam o inconsciente. Eles constituem a “trilogia do significante do inconsciente freudiano”, na medida em que fundamentam a hipótese do inconsciente demonstrando-o como estruturado como uma linguagem.
Finalizando, tentando fazer mais um contraponto à teoria freudiana, gostaria de pontuar a frase de Michel Foucault: “um dia, talvez, o século seja deleuziano”. Esta frase mostra bem a importância do filósofo da diferença, o francês Gilles Deleuze, que junto com Feliz Guatarri, nos anos 70, através de seus trabalhos, trazem um novo olhar sobre o modelo freudiano/lacaniano, trazendo no bojo dessa nova perspectiva a possibilidade de desconstrução desses saberes já estabelecidos.

Regina Fernandes

20 junho, 2008

Drummond



O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

15 junho, 2008

Florbela Espanca


Uma Livraria Deslumbrante




















A Livraria Lello & Irmão, conhecida como Livraria Chardon, patrimônio mundial, considerada a terceira mais bela do mundo (Jornal The Guardian -2008), fica situado na Rua das Carmelitas 144, na cidade do Porto (Portugal).
A história desta maravilhosa livraria começa em 1869 quando foi fundada, na Rua dos Clérigos, a Livraria Internacional de Ernesto Chardon. Somente em 1919 ela mudou para Lello & Irmão Ltda. A famosa livraria atravessou o século XX nas mãos da mesma família, passando de geração em geração. Em 1906 o prédio atual foi inaugurado, depois de passar por um trabalho de restauração. No interior da livraria, o visitante sente-se envolvido por um ambiente acolhedor, onde encontra além dos livros uma decoração maravilhosa. Há uma vasta sala com uma galeria que dá acesso a uma escada ornamental, onde existem mesas que servem para exposição dos livros, bancos em madeira e revestidos em couro e estantes enormes, até o teto. Nos pilares, à esquerda e à direita, estão os bustos de vários escritores, entre eles Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco e Antero de Quental. No teto uma luminosidade que provém do vitral.

Regina Fernandes

12 junho, 2008

Dia dos Namorados



"Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino - o amor."

Carlos Drummond de Andrade

11 junho, 2008

O segredo da vida de um casal




Gosto dos textos de Contardo Calligaris, excelente psicanalista e psicoterapeuta é italiano e mora no Brasil. O texto abaixo fala sobre relacionamentos e acredito que vale a pena fazer uma leitura reflexiva.





O segredo da vida de um casal


Receita do amor que dura: amar o outro não apesar de sua diferença, mas por ele ser diferente.
Em geral , na literatura, no cinema e nas nossa fantasias, as histórias de amor acabam quando os amantes se juntam (é o modelo Cinderela) ou, então, quando a união esbarra num obstáculo intransponível (é o modelo Romeu e Julieta). No modelo Cinderela, o narrador nos deixa sonhando com um “viveram felizes para sempre”, que seria a “óbvia” conseqüência da paixão. No modelo Romeu e Julieta, a felicidade que os amantes teriam conhecido, se tivessem podido se juntar, é uma hipótese indiscutível. O destino adverso que separou os amantes (ou os juntou na morte) perderia seu valor trágico se perguntássemos: será que Romeu e Julieta continuariam se amando com afinco se, um dia, conseguissem deitar-se juntos sem que Romeu tivesse que escalar a casa de Julieta até o famoso balcão? Ou se, em vez de enfrentar a oposição letal de suas ascendências, eles passassem os domingos em espantosos churrascos de família?
Talvez as histórias de amor que acabam mal nos fascinem porque, nelas, a dificuldade do amor se apresenta disfarçada. A luta trágica contra o mundo que se opõe à felicidade dos amantes pode ser uma metáfora gloriosa da dificuldade, tragicômica e inglória, da vida conjugal. O casal que dura no tempo, em regra, não é tema para uma história de amor, mas para farsa ou vaudeville -às vezes, para conto de terror, à la “Dormindo com o Inimigo”.
Durante décadas, Calvin Trillin escreveu uma narrativa de sua vida de casal, na revista “New Yorker” e em alguns livros (por exemplo, “Travels with Alice”, viajando com Alice, de 1989, e “Alice, Let’s Eat”, Alice, vamos para a mesa, de 1978). Nesses escritos, que são só uma parte de sua produção, Trillin compunha com sua mulher, Alice, uma dobradinha humorística, em que Calvin era o avoado, o feio e o desajeitado, e Alice encarnava, ao mesmo tempo, a beleza, a graça e a sabedoria concreta de vida.
À primeira vista, isso confirma a regra: a vida de casal é um tema cômico. Mas as crônicas de Trillin eram delicadas e tocantes: engraçadas, mas nunca grotescas. Trillin não zombava da dificuldade da vida de casal: ele nos divertia celebrando a alegria do casamento. Qual era seu segredo? Pois bem, Alice, com quem Trillin se casou em 1965, morreu em 2001.
Trillin escreveu “Sobre Alice”, que acaba de ser publicado pela Globo. Esse pequeno e tocante texto de despedida desvenda o segredo de um amor e de uma convivência felizes, que duraram 35 anos. O segredo é o seguinte: Calvin e Alice, as personagens das crônicas, não eram artifícios literários, eram os próprios. A oposição entre os dois foi, efetivamente, o jeito especial que eles inventaram para conviver e prolongar o amor na convivência.
Considere esta citação de um texto anterior, que aparece no começo de “Sobre Alice”: “Minha mulher, Alice, tem a estranha propensão de limitar nossa família a três refeições por dia”. A graça está no fato de que a “propensão” de Alice não é extravagante, mas é contemplada por Calvin como se fosse um hábito exótico.
Alice é situada e mantida numa alteridade rigorosa, em que é impossível distinguir qualidades e defeitos: Calvin a ama e admira como a gente contempla, fascinado, uma espécie desconhecida num documentário do Discovery Channel. Se amo e admiro o outro por ele ser diferente de mim (e não apesar de ele ser diferente de mim), não posso considerar que minha maneira de ser seja a única certa. Se Calvin acha extraordinário que Alice acredite na virtude de três refeições diárias, ele pode continuar petiscando o dia todo, mas seu hábito lhe parecerá, no fundo, tão estranho quanto o de Alice.
Com isso, Calvin e Alice transformaram sua vida de casal numa aventura fascinante: a aventura de sempre descobrir o outro, cuja diferença inesperada nos dá, de brinde, a certeza de que nossa obstinada maneira de ser, nossos jeitos e nossa neurose não precisam ser uma norma universal, nem mesmo a norma do casal. Há quem diga que o parceiro ideal é aquele que nos faz rir. Trillin completou a fórmula: Alice era quem conseguia fazê-lo rir dele mesmo. Com isso, ele descobriu a receita do amor que dura.

10 junho, 2008

Mãe desnecessária


Se eu fiz o meu trabalho direito,
tenho que me tornar desnecessária.
... porque o Amor é um processo de libertação permanente."















A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.
Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase e ela sempre me soou estranha.
Até agora. Agora que minha filha adolescente, quase aos 18 anos, começa a dar vôos solo.
Chegou a hora de reprimir de vez o instinto materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos erros, tristezas e perigos.
Uma batalha interna hercúlea, confesso.
Quando começo a esmorecer na luta para controlar a supermãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara. Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe apressada venha me acusar de desamor, preciso explicar o que significa isso.
Ser "desnecessária" é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também.
A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda e um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.
Até o dia que os nossos filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser desnecessários, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.

Recebi este texto por e-mail de minha amiga Sonia Maria Jannuzzi Sogawa (Maat) - a autoria é de Marcia Neder.

09 junho, 2008













Neste final de semana encontrei amigos queridos e entre eles estava um francês que me perguntou o significado da palavra saudade. Disse a ele que os brasileiros têm no coração esse sentimento trazido pelos portugueses de além-mar e que fala da falta, da falta das coisas que você ama muito e que está ausente. Não é o mesmo que dizer “sinto falta disso”, ou “sinto falta de você”. É algo mais nostálgico, pode ser triste e feliz ao mesmo tempo. Triste por ter passado e feliz por ter sido vivido. Saudade é um sentimento que mata o coração da gente.

Segundo o Aurélio é: substantivo feminino – lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, das pessoas ou de coisas distantes ou extintas, acompanhadas do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia.

Segundo Guimarães Rosa:

Quando sentires a saudade retroar
Fecha os teus olhos e verás o meu sorriso.
E ternamente te direi a sussurrar:
O nosso amor a cada instante está mais vivo!
Quem sabe ainda vibrará em teus ouvidos
Uma voz macia a recitar muitos poemas ...
E a te expressar que este amor em nós ungido
Suportará toda distância sem problemas ...

Quiçá, teus lábios sentirão um beijo leve
Como uma pluma a flutuar por sobre a neve,
Como uma gota de orvalho indo ao chão.
Lembrar-te-ás toda a ternura que expressamos,
Sempre que juntos, a emoção que partilhamos ...
Nem a distância apaga a chama da paixão.


Segundo Pablo Neruda:

"Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade,
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido..."

03 junho, 2008

Emily Jane Brontë


"Doce amor da juventude, me perdoa, porque as correntezas de paixões me carregam de um lado para o outro. Neste momento, eu devo me entregar, sem tentar entender o que acontece em meu coração. Mas quando essas correntezas enfraquecerem, este doce amor irá permanecer. E mesmo que tudo acabe, basta que o amor sobreviva _ e eu sobreviverei também. Entretanto, se tudo permanecer, menos o amor _ o Universo passará a ser um estranho para mim. O amor muda como as folhas das árvores no outono. E se eu for capaz de entender isto, serei capaz de amar..."
(Trecho do livro "O morro dos Ventos Uivantes", de Emile Brontë).


Emily Jane Brontë (1818/1848), escritora e poetisa inglesa é a autora do livro "O Morro dos Ventos Uivantes", uma história de amor, cruel e apaixonante, passada na Inglaterra do século XVIII e que narra a violenta paixão entre Catherine Earnshaw e o cigano Heathcliff, seu irmão adotivo.

02 junho, 2008

Graciliano Ramos



"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.
Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."

(Graciliano Ramos, em entrevista concedida em 1948)


Graciliano Ramos de Oliveira ( 1892/1953), um dos maiores romancistas brasileiros, nasceu em Alagoas, foi escritor, romancista, cronista, jornalista e memorialista. Seu estilo se destaca pela capacidade de síntese, elegância e elaboração. Seus livros "Vidas secas" e "Memórias do Cárcere" foram adaptados para o cinema por Nelson Pereira dos Santos, em 1963 e 1983, respectivamente. O filme "Vidas Secas" obteve os prêmios "Catholique International du Cinema" e "Ciudad de Valladolid" (Espanha).