30 setembro, 2008

Memória Fotográfica: Nictheroy






Antiga estação das Barcas
Niterói - 1959

Demais






Vida partida
encontro-me perdida.
Vento demais é furacão
chuva demais alaga o chão
ciume demais sufoca a paixão
amar demais machuca o coração...

(Regina Fernandes)

29 setembro, 2008

100 Anos sem Machado de Assis





















Joaquim Maria Machado de Assis
(21 de junho de 1839/ 29 de setembro de 1908).


Nasceu no Rio de Janeiro é considerado por muitos o maior escritor brasileiro de todos os tempos e um dos maiores escritores do mundo, enquanto romancista e contista. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e seu primeiro presidente.

Filho do mulato Francisco José de Assis, pintor de paredes e descendente de escravos alforriados, e de Maria Leopoldina Machado, uma portuguesa da Ilha de São Miguel, de saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e início da juventude.

De origem humilde, Machado de Assis iniciou sua carreira trabalhando como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Oficial, cujo diretor era o romancista Manuel Antônio de Almeida. Em 1855, aos quinze anos, estreou na literatura, com a publicação do poema “Ela” na revista Marmota Fluminense. Continuou colaborando intensamente nos jornais, como cronista, contista, poeta e crítico literário, tornando-se respeitado como intelectual antes mesmo de se firmar como grande romancista. Machado conquistou a admiração e a amizade do romancista José de Alencar, principal escritor da época.

O estilo literário de Machado de Assis tem inspirado muitos escritores brasileiros ao longo do tempo e sua obra tem sido adaptada para a televisão, o teatro e o cinema. Em 1975, a Comissão Machado de Assis, instituída pelo Ministério da Educação e Cultura, organizou e publicou as edições críticas de obras de Machado de Assis, em 15 volumes. Suas principais obras foram traduzidas para diversos idiomas e a Academia Brasileira de Letras criou o Espaço Machado de Assis, com informações sobre a vida e a obra do escritor.


(Fonte: Wikipédia)

28 setembro, 2008


















E as horas lá se vão,loucas ou tristes...
Mas é tão bom, em meio às horas todas
pensar em ti...
Saber que existes!

(Mario Quintana)

Paul Newman - A lenda dos olhos azuis.





Seus olhos azuis, profundos e marcantes deixarão saudades.
Foi um dos maiores atores da história de Hollywwod.

























A voz do poeta
Não é voz de passarinho   
flauta do mato
viola
Não é voz de violão
clarinete pianola
É voz de gente
(na varanda? na janela?
na saudade? na prisão?)
é voz de gente - poema:
fogo logro solidão.

(Ferreira Gullar)


25 setembro, 2008

Sobre a questão das Estruturas Clínicas - Neurose, Psicose, Perversão.
















A temática “Estruturas Clínicas” data dos anos 40 e seu estudo vai nos fornecer alguns elementos para pensar a questão do “diagnóstico estrutural”.
Os termos neurose, psicose e perversão têm um sentido específico e próprio na Psicanálise, não se expressam da mesma forma na Psicopatologia, onde são descritos como entidades mórbidas. Para a Psicanálise são estruturas de funcionamento da linguagem, ou seja, modos de subjetivação do ser falante, modos de inscrição da cria humana no universo simbólico, ou se usarmos o termo um tanto mais sofisticado falaríamos das possibilidades de entendimento do processo chamado “Antropogênese” (refere-se ao surgimento e evolução da humanidade - quer dizer um conjunto de ocorrências e fenômenos pelo qual a cria humana se inscreve na tessitura social como um animal simbólico). Isso significa que os termos neurose, psicose e perversão, na Psicanálise, que não trabalha com o contínuo normal/patológico, querem dizer, antes de mais nada, caminhos, escolha subjetivas.
A Estrutura Psíquica é uma organização: ela possui um conjunto ordenado de elementos, onde há uma regra, uma ordem (uma estrutura nunca pode ser pensada em termos de caos), tem um princípio de racionalidade, é dinâmica e tem funções e propriedades que se articulam.
O psiquismo portanto é uma estrutura pensada em termos de lugar e isto está colocado por Freud (cap. VII, livro V- “A Interpretação dos Sonho”) quando ele afirma que vai pensar o psiquismo a partir de um modelo ideal, em termos de imagens. Nesse momento ele está propondo uma estrutura. Este lugar que é pensado em termos da estrutura psíquica não é um lugar qualquer, quando Freud foi denominar a estrutura psíquica ele usou a palavra TÓPICA (tópica vem tópikós em grego que quer dizer lugar).
Os textos freudianos descrevem na Primeira Tópica (no modelo de 1900) – os sistemas Inconsciente, Pré-Consciente e Consciente. São sistemas que funcionam, que se articulam, por isso mesmo podem ser pensados como uma estrutura. Na Segunda Tópica, aparece no livro “O Eu e o Isso”, onde aponta três instâncias (o Eu, o Isso e o Supereu). Na releitura de Lacan nós poderíamos pensar o Real, o Simbólico e o Imaginário como uma tópica.
Para que possamos definir esse lugar temos que usar a idéia de trans/formação. Se nós pegarmos um texto freudiano vamos ver que num dado momento Freud diz que uma representação, dependendo de uma determinada soma de excitação, pode fazer parte do pré-consciente, do inconsciente ou da consciência. Quer dizer, se você investir, desinvestir, ela (a representação) vai mudar de estado, mas a representação seria a mesma. Então a idéia é essa: conhecidas as propriedades nós podemos pensar em transformação. Podemos pensar a partir dessa noção em termos de espaços diferenciados. O inconsciente, pré-consciente e consciente são espaços diferenciados, regidos por leis e propriedades próprias (processo psíquico primário, processo psíquico secundário, princípio do prazer, princípio da realidade). A mesma leitura podemos fazer em relação ao Isso – Eu - Supereu, cada um tem suas características próprias. Então podemos pensar o psiquismo em termos de espaço, movimento e uma lógica interna. Essa é a idéia de estrutura: quer dizer, seria a possibilidade de se passar de um lugar a outro, mas essa passagem implica sempre “transformação”. Quando se fala de estrutura psíquica estamos falando de funções, sistemas, relações, articulações e quando Freud rompe com esse contínuo normal e patológico ele vai propor a idéia de que todos nós nos humanizamos a partir da constituição de uma estrutura psíquica. Essa estrutura é virtual, tal qual é a estrutura das linhas de quebradura de um cristal.
A inscrição da cria humana no universo simbólico, é o momento constitutivo dessa estrutura. A partir daí existem duas possibilidades, uma delas desdobrada em 3 alternativas:
Primeira possibilidade: Não inscrição no universo simbólico. Não constituição de uma estrutura. Nessa primeira possibilidade, a cria humana não se inscreve no universo simbólico, então não há estrutura.
Segunda possibilidade: em se dando a inscrição no universo simbólico. A inscrição se faz pela estrutura. Existem três caminhos possíveis: a via que vai pela NEUROSE, uma outra possibilidade a PSICOSE, e uma outra a PERVERSÃO.
A inserção do humano se dá por esses três caminhos. Por qualquer desses caminhos ele se humaniza – sempre na inscrição simbólica. Isto quer dizer que o ser falante encontra-se num desses três lugares (neurose, psicose ou perversão). Essa idéia é de extremo valor para se pensar todas as questões que concernem à clínica psicanalítica. Primeiro porque essa questão de normal e patológico cai por terra. Por que o que é ser normal? Normal é qualquer sujeito que fez uma escolha por qualquer um desses caminhos, cuja estrutura não se quebrou. Então o que chamamos de normalidade é qualquer dessas estruturas que não se quebrou. Enquanto a estrutura não quebra os seres humanos estão na estrutura chamada “normalidade”. Cada estrutura se quebra de uma maneira própria e tem pessoas que morrem sem a estrutura se quebrar. Freud certa vez escreveu: nem todas as pessoas que foram às guerras enlouqueceram. Quais as que enlouqueceram? Aquelas que na sua estrutura tinham um ponto vulnerável, e aquela situação foi suficiente para desencadear a quebradura daquela estrutura.
No mundo de hoje em que vivemos as exigências do cotidiano talvez favoreçam a que estruturas com seus pontos vulneráveis se quebrem. Existem sujeitos que dão mais sorte do que outros (porque alguns vivem toda a sua vida e a estrutura não se quebra, mas há outros que a estrutura se quebra muito cedo na vida e aí o sujeito tem que se haver com essa questão pela vida afora). Apesar de sabermos que toda estrutura tem um ponto vulnerável, não sabemos nunca o que é que a faz estrutura quebrar (se não se conhece as linhas de quebra não se pode saber como vai quebrar). Fica claro porém que todos nós temos um ponto na nossa estrutura que é vulnerável.
É por isso que não existe, em termos de doença psíquica, a psico-profilaxia. É claro que podemos saber que determinadas condições causam danos e podemos evitar essas condições, será muito bom, porém profilaxia e prevenção não existem (medicamentos não fazem prevenção).
A rigor, nada garante a eficácia de uma estrutura. Existem situações, em relação às quais nós não temos como enfrentá-las. Se tivermos a sorte de não nos depararmos com essa situação, essa estrutura se manterá. Portanto, o que chamamos de normalidade é um estado e este estado é temporário, apesar de ser um temporário que pode durar toda a vida do sujeito.

Regina Fernandes
(Psicanalista)

















Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser uma ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.
Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.

(Pablo Neruda)


24 setembro, 2008

É sempre bom estar com amigos...

O encontro foi maravilhoso e o jantar excelente!
Vamos repetir a dose bem depressa!
Valeu!
Beijos

23 setembro, 2008





















Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das
Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

(Florbela Espanca)



"Eu não gosto do sol, eu tenho medo
Que me leiam nos olhos o segredo
De não amar ninguém, de ser assim!
Gosto da noite imensa, triste, preta.
Como esta estranha e doida borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim!"

(Florbela Espanca)

22 setembro, 2008





Quando a idade dos reflexos, rápidos, inconscientes, cede lugar à idade da reflexões - terá sido a sabedoria que chegou? Não!
Foi apenas a velhice.


(Mário Quintana)

Vem estão chegando as flores...
















Bem vinda a Primavera
minha estação preferida
depois do inverno renascida
num festival de aromas e de cores.

Vem, pinta com tua palheta a minha vida
espalha os teus perfumes pelos meus dias
enfeita com tuas vestes o meu corpo
e aquece minha alma com seu calor.



20 setembro, 2008

Cabo Frio



Meu canto,
meu recanto,
meu encanto!
Minha Pasárgada!
Aqui Eu sou o Rei...
Encantada no meu canto
eu sou feliz!

(Regina Fernandes)

Um lugar chamado Florianópolis
















Já está quase fazendo 1 ano. Em outubro do ano passado, com escala em São Paulo, lá íamos nós, eu e Lia, para Floripa, onde Silzinha nossa amiga querida e Thetê nos esperavam na rodoviária. Viagem longa, caras amassadas, cheias de sono, mas felizes da vida e de expectativas. Enfim, a viagem tão esperada! Amigas iam se encontrar para matar as saudades... saudades... saudades.
Dali mesmo da rodoviária começou um tempo encantado, cheio de risos, histórias engraçadas, boas surpresas, lugares lindos, praias maravilhosas, restaurantes excelentes, muitas fotos, muito carinho de Iza, Bea e Dona Ruth e muita amizade e companheirismo de Aninha, Lia, Silvia e Silzinha. Fizemos passeios inesquecíveis no super carro da Thetê, que nos levou várias vezes por toda Floripa e não faltou aquela tour por Camboriú, Blumenau e Brusque.
Gente foi uma delícia de viagem. Fiquei apaixonada.
Muito obrigada, agradeço de coração a todas vocês que me proporcionaram tanta felicidade!
Floripa me aguarde, em breve voltarei!
Silzinha, um grande beijo e muitos beijos a todas vocês.

19 setembro, 2008















Resolvi colocar esta piada hoje, já que é sexta, para animar o fim de semana.


Duas brasileiras e uma portuguesa estavam jogando conversa fora, quando
uma das brasileiras comenta com a outra sobre suas relações sexuais com o
marido:
- Menina, nunca te aconteceu quando você faz amor com o Carlos, você toca nas bolas dele e estão frias?
A outra brasileira responde:
- Sim, sempre que nós fazemos eu percebo que estão frias. E você quando faz com o Rafael?
- Sim, sempre estão frias - responde a outra brasileira.
Nisso a portuguesa diz:
- Bom, eu nunca parei para atentar a esse detalhe, mas esta noite quando eu fizer com o Manuel vou tocá-las para ver.
- Tá bom, então amanhã você nos conta - dizem as brasileiras.
No dia seguinte, a portuguesa aparece toda cheia de hematomas, os olhos roxos e sem alguns dentes. As brasileiras ficam surpresas, perguntam o que foi que aconteceu e a portuguesa respondeu muito nervosa:
- Isto é tudo culpa de vocês!
- Mas porquê? - perguntam as brasileiras.
- Porque ontem eu fui transar quando eu toquei as bolas do Manuel eu disse:
"ai, Manuel, tu não tens as bolas frias como as do Carlos e as do Rafael!"











Querida,

Está tudo em ordem durante sua ausência.
Estou preparando meu próprio almoço. Está dando tudo certo.
Ontem fiz batata frita. Ficou bom. Era preciso descascar a batata?
Fui buscar uns brioches na padaria e quando voltei o esmalte da frigideira tinha soltado e ela estava toda derretida. Inclusive o cabo. E você que me dizia que o teflon segurava qualquer coisa.
Quanto tempo precisa pra cozinhar ovos? Já deixei eles fervendo lá duas horas, mas continuam duros que nem pedra. Bom vou aguardar um pouco mais...
Semana passada tive um contratempo cozinhando as ervilhas. Decidi esquentar a lata no microondas e ele explodiu. A lata decolou feito um foguete, atravessou o teto e acertou a filha do seu Freitas, nosso vizinho de cima. Ela foi parar no pronto-socorro. Ainda bem que eles tinham plano de saúde.
Já aconteceu contigo de a louça suja criar mofo? Como é possível isso acontecer em tão pouco tempo? Aliás, atrás da pia tem de tudo que é bicho, daqui a pouco vai dar pra fazer um documentário e vender pro Nacional Geografic.
Durante o último almoço eu emporcalhei o tapete persa com molho de tomate. Você sempre me dizia que mancha de molho de tomate não sai. Bobinha! Com um pouco de querosene não tive problema algum. Saiu tudinho, inclusive a cor do tapete.
A geladeira estava criando muito gelo, então tive que fazer um defrost nela. O gelo sai fácil se você raspa ele com uma espátula de pedreiro! Ficou ótimo, foi fácil e rápido, agora a geladeira não sei porque está aquecendo. De toda forma, a carne ficou bem passada.
No mais, na última quinta-feira quando saí para o trabalho esqueci de trancar a porta. Alguém deve ter invadido nosso apartamento porque estão faltando alguns objetos de valor, inclusive aquele colar de marfim que seu bisavô trouxe da África. Mas como você sempre diz, o dinheiro não traz felicidade, e tudo que é material é efêmero. O seu guarda-roupa também está vazio, mas acho que não devem ter levado muita coisa, afinal você sempre diz que nunca tem nada pra vestir.

Beijos mil, com muito carinho, do seu querido

Mario.

PS: Sua mãe deu uma passada aqui pra ver como estavam as coisas. Sofreu um infarto. Preferi não te contar pra não te aborrecer à toa.
Volte logo, estou com saudades.

18 setembro, 2008





















Ninguém abra a sua porta
para ver que aconteceu:
saímos de braço dado,
a noite escura mais eu.

Ela não sabe o meu rumo,
eu não lhe pergunto o seu:
não posso perder mais nada,
se o que houve já se perdeu.

Vou pelo braço da noite,
levando tudo que é meu:
- a dor que os homens me deram,
e a canção que Deus me deu.


(Cecília Meireles)



17 setembro, 2008

















Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...
Não sabia por caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida, e
assim quero que possa ser sempre —
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

(Alberto Caeiro)


16 setembro, 2008



Monstra
















Domingo (14/09) eu e Flavia fomos assistir ao espetáculo de Patrícia Travassos – Monstra - no Teatro dos Quatro, na Gávea. A história é ambientada em uma conferência de auto-ajuda onde a palestrante, interpretada pela própria atriz, é a prova viva de que seus ensinamentos não funcionam muito bem.
Excelente comédia! Adoramos.



06 setembro, 2008

A Família como Instituição Social














O termo “família” vem originalmente do latim “famulus”, que significa conjunto de servos e dependentes de um chefe ou senhor. Entre os chamados dependentes inclui-se a esposa e os filhos.
A família se constitui hoje como um espaço privilegiado para arregimentação e fruição da vida emocional de seus componentes. É inegável a sua importância no que se refere às relações sociais, pois é nela que aprendemos a perceber o mundo e a nos situarmos nele. É onde se forma a nossa primeira identidade social, sendo a família a mediadora entre o indivíduo e a sociedade.
É impossível entender o grupo familiar sem considerá-lo dentro da complexa trama social e histórica que o envolve. Sendo constituída de formas diferentes em situações e tempos diferentes, a família não é algo natural, biológico, mas uma instituição criada pelos homens em suas relações sociais. Essa instituição social forma-se em torno de uma necessidade material: a reprodução, sendo esta uma condição para a existência da família. Além da sua função ligada à reprodução biológica, a família exerce uma função ideológica, promovendo também sua reprodução social, ensinando a seus membros como se comportarem fora das relações familiares em toda e qualquer situação, sendo a formadora do cidadão.
A atuação familiar é vivida intensamente pelos indivíduos, agindo poderosamente no exercício da subordinação ideológica (representação institucional da família como algo natural e imutável), pois está presente desde o início da vida e é marcada por fortes componentes emocionais que estruturam, de forma profunda, a personalidade de seus membros.
Para alguns autores, a instituição familiar da sociedade capitalista é, universal e imutável tornando-se “sinônimo de família”. Outras formas são consideradas estruturas que ainda vão se diferenciar em direção a esse modelo ideal de família. Este teria por função desenvolver a “socialização básica”, numa sociedade capitalista que tem a sua essência no conjunto de valores e de papéis.
Já no olhar de outros autores, a família é o lugar onde se forma a estrutura psíquica, onde a experiência caracteriza-se, em primeiro lugar, por padrões emocionais; sendo o espaço social onde gerações se defrontam mútua e diretamente, e onde os dois sexos definem suas diferenças e relações de poder. Idade e sexo estão presentes, é claro, como indicadores sociais em todas as instituições.
Friedrich Engels elaborou a formulação materialista dialética sobre a gênese e as funções da família monogâmica, que surgiu e foi determinada pelo aparecimento de propriedade privada. Da forma de “família grupal”, na sociedade primitiva, a organização familiar teria evoluído para a “família monogâmica”, com estágios intermediários caracterizados sucessivamente por um grau cada vez maior de restrições às possibilidades de intercurso sexual. A culminância desse processo se deu com o “casamento monogâmico”, composto por um casal e com um caráter permanente de duração. Uma de suas principais finalidades seria a de garantir a transmissão da herança a filhos legítimos do homem, responsável pela acumulação material, o que só seria possível com a garantia de que a mulher exercia sua sexualidade no âmbito exclusivo do casamento, deixando claro, a importância da virgindade e da fidelidade conjugal da mulher.
Ao ouvirmos referências como: “crise familiar”, “conflito de gerações” e “morte da família”, percebemos que mesmo sendo a família, para alguns, a base da sociedade, a garantia de uma vida social equilibrada e célula sagrada que deve ser mantida intocável a qualquer custo; para outros, ela é uma instituição que deve ser combatida, pois representa um entrave ao desenvolvimento social, sendo nociva e propiciadora de neuroses e submissão de crianças e mulheres.
O amor e a autoridade constituem o eixo central da família (existe uma autoridade que diz o que devo fazer ou não para ser amado), caracterizando a família essencialmente pelas vivências emocionais desenvolvidas entre seus membros e pela hierarquia sexual e etária. As vias pelas quais, afeto e poder se relacionam dentro da família permitem-nos comparar os diferentes modelos de família e entender a dinâmica interna da família moderna associada a suas funções de reprodutora ideológica.


(Regina Fernandes)

05 setembro, 2008

Estilo













O batom vermelho tem me acompanhado há décadas. Ele tem aquela aura quase proibida que vem desde os tempos antigos quando nossas mães nos diziam que éramos muito novas para usá-lo ou que íamos parecer prostitutas. Na moda ele vai e vem, mas comigo é uma história de amor e paixão. Uso batom vermelho todos os dia e nunca, jamais, saio de casa sem ele.
Na verdade ele faz meu estilo, minha trademark. Já aconteceu algumas vezes em que por algum motivo saí sem meu batom vermelho e alguém ter me perguntado se eu estava bem, ou se estava triste. As pessoas podem não identificar a falta do batom vermelho, mas percebem na hora que tem alguma coisa fora do contexto. Ele faz parte do que eu sou e sem ele me sinto no mínimo desarrumada.
O meu primeiro batom não era vermelho, era rosinha, quase incolor, da Avon – eu tinha 14 anos e amei! A partir dali fui aos pouquinhos comprando os rosados, cada vez mais fortes até que finalmente comprei meu primeiro batom vermelho! Esse dia foi fantástico e me lembro muito bem. Eu tinha mais ou menos 18/19 anos e entrei na Casa Sloper, no Rio, em Copacabana e o vi na prateleira, vermelho, brilhante... era tudo o que eu queria.
Não gosto dos tons alaranjados ou pink, na verdade não sei da onde saiu esse gosto, pois da minha família acho que sou a única com o bocão vermelho. Mas é assim que eu gosto e sou feliz!

(Regina Fernandes)

04 setembro, 2008

Lira Romantiquinha














Por que me trancas
o rosto e o sorriso
e assim me arrancas
do paraíso?
Por que não queres
deixando o alarme
( ai, Deus: mulheres)
acarinhar-me?

Por que cultivas
as sem-perfume
e agressivas
flores do ciúme?

Acaso ignoras
que te amo tanto,
todas as horas,
já nem sei quanto?

Visto que em suma
é todo teu,
de mais nenhuma
o peito meu?

Anjo sem fé
nas minhas juras
porque é que é
que me angusturas?

Minha alma chove
frio e tristinho
não te comove
este versinho?


(Carlos Drummond de Andrade)

03 setembro, 2008

Acreditar e Agir















Um viajante entrou num pequeno barco de transporte para chegar à outra margem do rio. O barquinho tinha dois remos de carvalho dirigidos por um barqueiro já idoso. Curiosamente, em um dos remos estava escrito ACREDITAR e no outro remo estava escrito AGIR.
Não podendo conter a curiosidade, o viajante perguntou ao barqueiro a razão daqueles nomes originais dados aos remos.
O barqueiro respondeu pegando o remo chamado ACREDITAR e remou com toda a força. O barco, então, começou a dar voltas sem sair do lugar que estava. Em seguida, largou o remo ACREDITAR e pegou o remo que estava escrito AGIR, e remou com todo o vigor. O barco girou em sentido contrário, mas novamente sem sair do lugar. Finalmente, o velho barqueiro, segurando os dois remos, remou com eles simultaneamente e o barco, impulsionado por ambos os lados, navegou através das águas do lago chegando ao seu destino na outra margem.
O barqueiro então disse ao viajante:
- Esse porto que chegamos se chama CONQUISTA.
Pra chegar onde você deseja é preciso ACREDITAR e também AGIR.

02 setembro, 2008

















Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.


(Fernando Pessoa)

Mania de sapatos




















Existem mulheres que tem uma verdadeira obsessão por sapatos. Eu confesso sou uma amante declarada dos sapatos, sandálias altas, botas, tênis, scarpins. Uma festa, um evento, um encontro com amigas são alguns motivos para eu sair à busca de um novo par. Falando sério, o simples fato de passar em frente a uma vitrine é uma tentação irresistível, uma perdição. Às vezes estou só passeando e vejo um sapato que é a minha cara... pronto! Já estou eu dentro da loja experimentando, namorando e muitas vezes acabo comprando.
Não sou uma Imelda Marcos, nem chego perto da Claudia Raia, mas talvez seja pela simples questão de poder aquisitivo... elas podem, eu não!
Os sapatos são mágicos, eles mudam tudo, uma sandália rasteirinha, o salto agulha, uma bota, uma sapatilha definem o estilo da mulher, no ato.
Os sapatos nos fazem sentir sexy, chiques ou esportivas, eles denotam a idade, o estado de espírito, o desejo do momento e até mesmo o nosso humor. Uma calça jeans e uma camiseta básica, com um belo par de scarpins fechou o visual!
Uma vez ouvi de uma amiga a afirmação de que mulheres de sapatilhas são mais confiáveis, porque as de salto agulha estão prontas para matar... Será?

(Regina Fernandes)

01 setembro, 2008



Respiro
sinto cheiro de mar
sinto cheiro de brisa
sinto cheiro de rosas
sinto cheiro de amor
sinto a noite cair
sinto o dia amanhcer
sinto saudades de você...

(Regina Fernandes)