23 setembro, 2008





















Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das
Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

(Florbela Espanca)

2 comentários:

Márcia(clarinha) disse...

Flor[mais]bela nas formosas palavras benditas.
Ô poeta querida, perfeita!

lindo dia querida
beijos

Anônimo disse...

Florbela é magia no sentir e no dizer. Lindo!
Bjs
Teresa