28 janeiro, 2009

Mães Prematuras X Bebês Prematuros


O desejo de abordar este tema surgiu do fato de se constatar a existência de um elevado índice de bebês prematuros nas UTIs dos hospitais, cujas mães, também consideradas “prematuras”, necessitam de um atendimento psicológico clínico.
A incidência de gravidez em jovens com menos de 18 anos de idade que, em sua maioria, se encaixam no perfil de “mães prematuras” tem sido objeto de grande interesse nos últimos anos no mundo, pois se constata nas últimas décadas um aumento considerável do número de “mães prematuras”, questão esta que tem sido apontada como problema de saúde pública, além de social, tanto no Brasil quanto em outros países.
No Brasil percebe-se igualmente o crescente número de “mães prematuras” com bebês prematuros, fato esse amplamente divulgado e discutido pela mídia, através de reportagens televisivas, em vários jornais e revistas do país, assim como por vários profissionais de saúde através de artigos.
É necessário estabelecer definições e Clara Regina Rappaport traz o conceito de “mãe prematura” como sendo aquela figura materna não estável, que não consiga criar laços estáveis de amor e de confiança na relação com o bebê, e que não seja, ao nível qualitativo, capaz de compreender e atender as solicitações básicas feitas pela criança. Outra definição que parece importante e segura é da OMS (Organização Mundial de Saúde), que considera “mãe prematura” aquela que ainda não completou seu amadurecimento físico, psíquico, emocional e financeiro.
O bebê prematuro é considerado (biologicamente) aquele cujo período de gestação é menor do que 32 semanas, precisando assim de cuidados especiais nas UTIs e enfermarias neonatais dos hospitais.
Através de bibliografias pesquisadas foi feita uma abordagem da “mãe prematura” e suas características físicas e emocionais, assim como todas as transformações que ocorrem nesta fase, físicas e psíquicas, pois a jovem mãe ao se deparar com uma gravidez quase sempre indesejada e mal programada percebe-se num período de baixa-estima e de transição em que passa da condição de filha para mãe e mulher, sem estar devidamente preparada para acolher, alimentar e amar seu bebê, que já nasce fisiologicamente prematuro.
Sob o ponto de vista biológico as mulheres são consideradas aptas para o primeiro parto quando estão numa faixa etária que vai dos 18 aos 22 anos, as que dão a luz antes dos dezoito anos são denominadas primíparas jovens adolescentes e as que gestam e amamentam antes dos dezesseis anos são denominadas primíparas “Giveníssimas” (termo italiano), porque foi na Itália que pela primeira vez se estudou estes aspectos das mães muito jovens e consideradas prematuras.
Alguns aspectos importantes devem ser destacados no que se refere às “mães prematuras”:
- elas são jovens meninas que estão iniciando sua vida sexual cada vez mais cedo e sem a mínima informação sobre seu corpo e métodos anticoncepcionais acarretando uma liberação sexual irresponsável e imatura;
- fatores individuais, psicológicos, familiares e sociais, são apontados como os determinantes de uma atividade sexual precoce, com conseqüente gravidez indesejada e despreparo emocional para o nascimento do bebê;
- a gravidez torna-se indesejada porque essas mães não desejam esses filhos devido a todas as conseqüências trágicas decorrentes da gestação de adolescentes nas classes populares da nossa sociedade;
- a difícil relação doméstica familiar e a ausência emocional do pai, decorrente de vários motivos, exerce um papel importante nesta questão;
- pertencem a famílias com baixa condição econômica, onde a falta de orientação familiar se faz sentir mais fortemente;
- não recebem uma atenção especializada no que tange a problemática da saúde: a procura dos serviços de assistência médica e pré-natal, ou é muito tardia ou na maioria das vezes nem acontece, fato este que se dá por desconhecimento ou constrangimento.
A gestação nessas “mães prematuras” cria um círculo vicioso de miséria, pobreza e ignorância já que a menor grávida não tem, na maioria dos casos, como estudar e acaba abandonando a escola para cuidar do filho e da casa, e, apenas uma pequena parte se casa com o pai da criança e destas, a maior parte separam-se nos primeiros dois anos de casamento, geralmente por falta de maturidade do casal para manter um relacionamento e assumir a responsabilidade da casa e da educação do filho; outras jovens deixam seus filhos entregues aos cuidados de suas mães ou os deixam abandonados aos cuidados de vizinhos.
A complexidade da problemática mãe prematura x bebê prematuro exige uma atenção especial tanto dos psicólogos que atuam na área da saúde como de toda a sociedade.


Regina Fernandes

Um comentário:

Flavia disse...

Bom seria que a abordagem não fosse somente psicológica mas também sócio-econômica-histórico-cultural e que as nossas autoridades governamentais tomassem esse fenômeno como fruto da total indiferença e falta de assistência com que eles tratam as nossas crianças e adolescentes. Fossem criadas mais escolas, ou centros comunitários educacionais e essas crianças fossem tiradas da rua para receber a orientação que lhes é devida, não teríamos um problema "bola de neve" que, como o nome mesmo já diz, só tende a aumentar e tomar o curso incontrolável da descida para o nada. Esse estado de "coisas" reflete a ingerência, displicência e negligência com que o problema é tratado por eles, ou melhor dizendo, a maneira com o que o problema NÃO É TRATADO por eles.

Lamentável!!!