04 abril, 2009

















Às vezes é preciso recolher-se.
O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta;
a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez
resolve sentar-se à beira dessas águas.
Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir.
É um começo de sabedoria, e dói.
Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento,
além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido.
Amar era tão infinitamente melhor;
curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico.
Não queremos escutar essa lição da vida,
amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador.
Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro
nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta.
Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade,
e ficamos quase sem sonhar.
Quem nos vê nos julga alheados,
quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre,
e a gente mesmo às vezes desconfia de que
nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz.
Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda
há de saber que se nossa essência é ambigüidade e mutação,
este silêncio é tanto uma máscara quanto foram,
quem sabe, um dia os seus acenos.

(Lya Luft)

3 comentários:

Jussara Gehrke disse...

'aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra'

e é assim mesmo que acontece, só quando a gente se aquieta...

essa Lya é ótima e sabe de tudo!


beijinho
Ju

Su disse...

Às vezes é preciso um momento só nosso...

bjosss!

Márcia(clarinha) disse...

Preciosos momentos meus...acolher-se no recolhimento, desejo.

linda semana flor querida
beijos