22 outubro, 2008

Quando





















Quando ouço meu coração
enxergo com os olhos da alma
vejo a vida com magia
tudo encanta meu dia.
A noite tem mais estrelas
o mar tem menos segredos.
Quando ouço meu coração
te vejo com olhos de algodão.


Regina Fernandes

21 outubro, 2008

Sem destino




















Preciso partir
sem data e sem destino
para matar saudades e rever recantos
não tenho hora para ir, nem para voltar.

Preciso partir
preparei minha bagagem
não sei os lugares que passo, nem aqueles que fico.

Preciso partir
Sem paradas obrigatórias
com calma, com a alma

Preciso partir
vou procurar encantos...


Regina Fernandes


20 outubro, 2008

Ausência
















Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.


Carlos Drummond de Andrade

19 outubro, 2008

Bolsa de Mulher















Bolsa de mulher tem de tudo! Essa frase ouvida pelos quatro cantos do mundo diz uma verdade! Acontece que os homens pensam que a imaginação feminina na hora de escolher o que vai colocar na bolsa vai muito mais além do que a mulher vai usar. Será verdade?
Bom, para começar eu gosto de bolsas grandes, nela podemos levar sempre o necessário e ainda assim fico achando que está faltando alguma coisa. A idéia é garantir à mão tudo o que se precisa no dia a dia.
Outro dia resolvi olhar com atenção para ver o que tinha dentro da minha: um estojo pequeno com 2 batons vermelhos (não posso viver sem eles) e um espelhinho, um rimel, celular, agenda, um porta-cartão de visita, comprimidos para dor de cabeça (enxaqueca não marca hora, não é mesmo), caderninho de anotações (para nunca perder uma idéia), canetas (3), escova de cabelo, carteira de dinheiro, bolsinha de moedas, chaveiro com as chaves do carro e de casa, carteira de documentos, um par de óculos de grau e outro de sol, lixas de unha, um envelopinho com lenços de papel, um terço e meu MP4. Devo ser mais do que prevenida, mas a verdade é que acredito que só tem o indispensável.
Talvez essa característica da bolsa grande venha de uma auto-proteção, um desejo de estar prevenida nas situações do cotidiano e a previsibilidade parte do mundo feminino, faz parte da natureza da mulher. Umas mais exageradas outras mais comedidas, mas todas muito parecidas.


Regina Fernandes

18 outubro, 2008

Justiça decide: chope só com colarinho















Disso todo boemio já sabia, mas agora é sentença: o Tribunal Regional Federal determinou que chope sem colarinho não é chope.

Demonstrando desenvolvimento no tema ( rsrsrs ) o TRF firmou no acordão que, "a medição realizada na bebida deve ser considerada o colarinho, pois este integra a própria medida e é o próprio produto no estado de espuma em função do processo de pressão a que é submetida a referente bebida".


Fonte: O Globo (17/10/2008)

17 outubro, 2008

Caminhante




Prefiro caminhar sem pernas para sentir leveza
meus passos não são certos
mas são intensos e com eles traço
uma linha sem mistérios.

Caminhando desbravei mundos
conheci mares, descobri novas eras
coloquei meus passos em outros passos
explorei fundo o meu espaço.

Me entranhei pelas matas,
pedi água, pedi pousada e fui ficando
fui entrando, bem no coração da floresta..

Pelo caminho carreguei meus sonhos e minha vida inteira
tomei nas mãos um raio de luar, levinho como um pensamento,
abracei um vento que trouxe um gorjeio
que na concha de minha mão pude abrigar.

E agora sou migrante de outros caminhos
uma estrangeira sem ninho.
Mas tenho meus pés livres para continuar
passos incertos, mas verdadeiros e abertos.


(Regina Fernandes)

16 outubro, 2008

Um olhar sobre a Sublimação

























Sublimação designa certos tipos de realizações movidas por um desejo que não visa manifestamente a uma satisfação sexual, tais como a criação artística, a investigação intelectual, atividades humanitárias e culturais que são muito valorizadas pela sociedade.
Um impulso tem seu objetivo substituído por outro desprovido de caráter sexual, tornado-o mais “digno”. Ela privilegia, atua eletivamente sobre os impulsos parciais, elementos “pervertidos” da sexualidade que não conseguem integrar-se na forma definitiva da genitalidade. A atividade sexual sublimada requer, num primeiro momento, o deslocamento da libido de seu objeto e sua concentração no ego e, só então, ela vai se orientar para um novo objeto externo. Por isso mesmo, a sublimação está estreitamente ligada à dimensão narcisista do ego. O narcisismo que ressurge se desloca para o ego ideal, cheio de perfeição e valor, como o ego infantil. O ego ideal nesse momento é o alvo do amor de si mesmo.
A sublimação diz respeito à libido objetal, à idealização, ao objeto que é engrandecido e exaltado na mente do indivíduo. As exigências do ego são aumentadas pela formação de um ideal, o que é um fator poderoso para a repressão. A formação do ideal do ego não pode ser confundida com sublimação que constitui um processo que pode ser estimulado pelo ideal. O ideal do ego é o caminho para a sublimação. A pessoa pode trocar o seu narcisismo por um ideal elevado do ego sem, contudo sublimar suas pulsões. Percebemos que Freud infere que do mesmo modo que o ego se empobrece em benefício dos investimentos objetais libidinados e em favor do ideal do ego, se enriquece com as satisfações em relação ao objeto ao realizar o seu ideal. O ego, quando se afasta do narcisismo primário, procura esse estado anterior. A sublimação se desenvolve a partir da constituição do superego, como resposta a interdições e normas que impossibilitam a satisfação direta das pulsões.
A sublimação é um processo inconsciente que tem por objetivo desviar as forças da pulsão sexual e integrá-las com outras finalidades, que não sejam as da pulsão sexual. É o ato que permite ao sujeito se desfazer de sua identificação ao falo, a realização o liberta. O eu ideal se desvanece na lembrança do que terá sido.
A sublimação é uma tendência que vai recair sobre objetos que são os mais elevados, que todo ato de criação, toda questão da obra de arte são desvios da finalidade da pulsão. Todo ato de criação é um ato sublimatório porque é o aproveitamento de uma energia sexual. Não podendo se realizar, o aparelho aproveita a energia da pulsão sexual e aplica numa outra finalidade. As pulsões, por serem modificadas em suas finalidades, tornam-se um fator preventivo e de defesa contra a neurose.
O artista pinta na mesma intensidade daquela pulsão sexual que não ocorreu, é uma busca de algo que existe na lembrança. Possibilita ao autor da obra, qualquer que seja, tomar uma certa distância de algo que não mais investe o seu corpo por estar perdido. Mas é preciso reencontrar alguma coisa que ainda existe na lembrança. É preciso, então, cantar, dançar, criar para não correr o risco de se perder. A criação é necessária à existência. O homem é capaz de muita sublimação para inventar, criar e não adoecer. Todos somos obrigados a sublimar para viver.
A frustração não decide sozinha a doença ou a saúde. Enquanto o recalque da pulsão cria tensão, a sublimação oferece uma saída “normal” ao indivíduo, permitindo não somente evitar tensões desagradáveis como também possibilitando a aplicação de suas energias em caminhos não neuróticos. A sublimação, na busca de uma descarga total devido a excitações hiperintensas de várias fontes sexuais, é uma satisfação parcial que será obtida graças a outros objetos. É uma satisfação irremediavelmente parcial porque não será completa a descarga de sua tensão, essas excitações vão encontrar escoamento em caminhos construtivos.


Regina Fernandes
(Psicanalista)